Se você já tentou estudar japonês, provavelmente se perguntou: “será que preciso decorar todos os kanjis japoneses?”. A resposta curta é não, mas a longa envolve entender como esse sistema funciona, quantos deles realmente existem e quais você deve priorizar. Neste artigo, vou desmistificar o número exato, explicar a diferença entre kanjis oficiais, raros e obsoletos, e dar um caminho prático para você dominar os caracteres essenciais sem sofrer. Essa pergunta tem várias respostas, dependendo do dicionário. O maior dicionário de kanjis do Japão, o Daikanwa Jiten, registra cerca de 50.000 caracteres. Porém, a grande maioria são variantes antigas, usadas em textos históricos ou nomes próprios extremamente raros. No cotidiano, ninguém – nem mesmo um professor de literatura – conhece todos os kanjis japoneses desse acervo colossal. O governo japonês define uma lista chamada Jōyō Kanji (常用漢字), que reúne os caracteres considerados “de uso comum”. Atualmente, a lista contém 2.136 kanjis. Eles são ensinados nas escolas até o final do ensino médio e são mais do que suficientes para ler jornais, revistas e documentos oficiais. Na prática, você não precisa de todos os 50 mil para viver no Japão. Com os 2.136 Jōyō, você cobre mais de 99% dos caracteres que aparecem em textos do dia a dia. Por exemplo, um jornal nacional usa, em média, uns 3.000 kanjis, mas os que extrapolam a lista oficial são quase sempre acompanhados de leitura em furigana (pequenas sílabas ao lado do kanji). Portanto, dominar todos os kanjis japoneses da lista Jōyō é uma meta plausível – e extremamente eficaz. Existe também a lista Jinmeiyō Kanji (人名用漢字), com cerca de 860 caracteres adicionais, aceitos apenas para nomes próprios. Somando Jōyō e Jinmeiyō, chegamos a quase 3.000 caracteres que um japonês adulto pode reconhecer bem. Mas e os outros milhares? Eles são chamados de hyōgai kanji (表外漢字) ou “caracteres fora da lista” – aparecem em textos técnicos, poesias antigas, mangás estilizados ou nomes de lugares muito específicos. Outro fato curioso: o Japão também criou kanjis próprios, chamados kokuji (国字), que não existem em chinês. Exemplos incluem 畑 (hata – plantação) e 働 (hataraku – trabalhar). Então, quando falamos “todos os kanjis japoneses”, precisamos considerar esses caracteres nativos também. Mas relaxe: a lista de kokuji é pequena e muitos deles fazem parte do Jōyō. Se você está começando, esqueça a ideia de memorizar uma lista gigante. É contraproducente. O caminho inteligente segue esta ordem:Afinal, quantos kanjis japoneses existem?
O conjunto oficial: Jōyō Kanji
Por que 2.136? Não é pouco?
Além do Jōyō: Jinmeiyō e kanjis não oficiais
Kanjis inventados e variantes regionais
Como aprender de verdade sem decorar 50 mil símbolos